Demorei pra entender uma coisa simples: a gente não escolhe a própria natureza, a gente descobre.

Demorei pra entender uma coisa simples: a gente não escolhe a própria natureza, a gente descobre.



Eu já tive umas quinze profissões, no mínimo. Cantei aos doze. Fui enfermeira. Trabalhei em campanha política. Dá pra imaginar coisa mais distante de quem eu sou hoje? E fui boa em quase tudo, esse é que é o problema. Aprendo rápido, me viro, entrego. Se me largarem em qualquer canto amanhã, eu não passo fome.


Só que uma coisa é dar conta. Outra é viver daquilo que a alma nasceu pra fazer. Levei tempo demais pra sentir essa diferença na pele. Dar conta a gente faz com a cabeça. Funciona, paga as contas, ninguém reclama. Mas vem junto um cansaço que não passa dormindo, o de tocar uma vida que dá certo e mesmo assim não é bem a sua.


Tem uma palavra grega que vive comigo desde que descobri: daimon. Nada a ver com demônio, apesar de parecer. É mais uma voz, uma espécie de essência que a gente carrega antes de qualquer escolha. Sócrates dizia ouvir a dele. E tem a outra, areté, que não é ser melhor que os outros, é chegar no alto daquilo que só você sabe ser. Uma é descobrir a sua praia. A outra é nadar nela até onde der.


E isso quase nunca cabe numa lista de qualidades. O sinal não é o elogio, é a paz. A paz de estar alinhado com o propósito, com o chamado, com aquilo que você veio fazer. Pra mim a paz virou árbitro: quando ela aparece, é sinal de que tô no lugar certo. Quando some, por mais que tudo esteja dando certo por fora, é porque tem alguma coisa fora do eixo.


E você, tá vivendo de dar conta ou de ser quem é?

Eu ainda me pego nos dois lugares. Mas hoje já sei a diferença. E saber sozinho já muda o jeito de andar.

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Comentários (1)

  • ALISSON SIZENANDO FERREIRA 1 meses atrás
    Excelente artigo!

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