Desejo

Desejo

Hoje chorei ao descobrir a etimologia da palavra desejo. E acho que vai ser uma das coisas mais bonitas que vocês vão ler também. Na hora eu parei de fazer o que eu estava fazendo porque encontrei palavras para alguns sentimentos meus e isso me deu uma sensação muito louca.


Os antigos, e quando digo antigos falo dos romanos, dos que olhavam pro céu não pra contemplar, mas pra buscar respostas, eles tinham um nome pra estrela. Sidus. Plural sidera. Espaço sideral. Mas não era só nome pra brilho. Era orientação. Era presságio. Era a voz do cosmos falando pra gente. E os romanos, imagina isso, eles olhavam pra cima e o cosmos falava. Os astros mandavam sinais, orientação, mensagens. Eles estavam em companhia com o universo. Tinham respostas porque estavam conectados. A isso eles chamavam considerare: estar com os sidera, estar na companhia dos astros. Você já pensou em estar em companhia com o cosmos? Em receber mensagens do universo?


Mas aí vem a coisa que talvez eu chore de novo só de escrever aqui. Em latim, o prefixo de- quer dizer isolamento. Separação. Afastamento. Desconexão. Então vem a palavra De. Sidera. Quando o cosmos se cala. Quando você não recebe mais sinais. Quando a voz do universo desaparece e você fica sozinho, sem presságios, sem mensagens, sem nenhuma orientação, aí nasce desiderare.


Desejo não é querer uma coisa. É estar separado de. É estar separado do cosmos. De estar na companhia dos astros. É o momento em que o universo para de falar com você. É o silêncio cosmológico. É abrir dentro de você um vazio absurdo. Então desejo não é falta de qualquer coisa. É falta específica de estar em conexão.


Em uma outra pesquisa que eu fiz, eu li que desejo significa literalmente perder a estrela de vista. Meu Deus, eu nunca mais vou ler essa palavra ou usar ela de forma tão rasa. Caramba.


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