Esses dias fui almoçar com uma amiga e ela me perguntou: tô curiosa, como andam os romances na sua vida? Eu falei que ando com hiperfoco, mas em outras coisas. Trabalho, projeto, e por ter uma filha pequena eu tenho uma vida muito corrida. E que não gosto de aplicativo. Ela falou, não, mas aplicativo é super legal, conheço várias pessoas que tiveram ótimas relações, ótimos encontros. E não é que ela esteja errada. Mas eu tenho um preconceito, sabe?
Eu gosto tanto daqueles encontros que são inesperados.

A última pessoa que eu namorei foi em 2022, e eu conheci ele num museu. Foi no último dia da minha viagem em Nova York. Eu tava vendo uma exposição quando eu vi ele. Achei bonito e continuei na exposição. Umas duas horas depois eu tava numa parte externa e escutei uma pessoa falando comigo em inglês: oi, você pode me ajudar a tirar uma foto? Quando eu virei, era ele. Eu pensei, meu Deus, o cara que eu achei bonito. E ali, dez minutos depois, a gente tava apaixonado um pelo outro pensando, o que a gente faz com isso?
Eu ia embora no outro dia pra Miami.
E eu falei: você quer ir comigo?
A gente passou o dia passeando em Nova York, jantando juntos.
E a gente só foi ficar junto mesmo no outro dia, quando se encontrou no aeroporto. Porque ele foi.
Eu sei que isso acaba sendo uma história de amor de filme. Eu tenho um psicanalista que eu gosto muito, e um dia ele me falou: eu acho que você se apaixona muito mais pelas histórias do que pela realidade, pela pessoa em específico. E ele não está errado. Eu gosto muito da narrativa das coisas.
Obviamente me apaixono pelas pessoas também, mas a história pra mim é importante. E eu acho que pra você também. Pensa nas histórias da sua vida que você conta e reconta.
Quantas delas você planejou?
Fico pensando nisso em relação às coincidências da vida, às imprevisibilidades. Uma coisa só consegue ser imprevisível se ela tem espaço pra ser imprevisível. Se ela tem espaço pra acontecer. Senão tudo é friamente calculado. Eu acho que muita coisa precisa ter controle, tem que ter estratégia, planejamento, organização. Mas a nossa vida precisa muito de uma dose de espaço pra deixar o acaso acontecer. Pra deixar a vida se manifestar, os caminhos se abrirem, e você falar: hum, deixa eu ver o que tem por aqui.
Quando foi a última vez que você falou isso?
É uma das razões por que eu gosto tanto de viajar sozinha. Minha maior regra quando viajo é estar aberta a absolutamente tudo. Quero ir em cinco pontos turísticos? Beleza, eu sei que vou. Mas eles não são minha prioridade. Minha prioridade é estar aberta às experiências. E as melhores coisas da minha vida aconteceram assim, por eu estar aberta ao que tava acontecendo e não ter tentado controlar tudo.
E você, ainda deixa espaço pra isso acontecer?
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